Reblogged from SMS do Gato

Como um gaúcho se sente quando:

comoumgauchosesentequando: UM PAULISTA PERGUNTA “ENTÃO, ESSE SEU SOTAQUE É DE SANTA CATARINA?”

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…digo que sou canhoto.

comoeumesintoquando:

Expectativa:

Realidade:

Feliz Dia do Canhoto :)

paradoxo

Eu posto, é importante.

Tu postas, é irritante.

O novo paradoxo do nosso tempo.

mulheres vermelhas

Sabe aquela história das maçãs do topo? É uma que versa a respeito das melhores mulheres, comparando-as aos frutos que estão no topo das macieiras que, por sua vez, são os mais saborosos, mais vermelhos e blábláblá. Por estarem tão acima das outras e, por esse mesmo motivo, serem as mais difíceis de alcançar, as pobres maçãzinhas ficam lá em cima se perguntando que diabos poderia estar errado com elas, já que ninguém as colhe. E o batalhão de mulheres-maravilha se pergunta o mesmo, já que ninguém as come. Penso eu que, na demora do atrevido apanhador que Machado de Assis propõe, as frutas terminarão apodrecendo, caindo no chão e - adivinha? – virando adubo. O que me traz a uma conclusão óbvia: ser maçã do topo é uma tremenda roubada, menina. As melhores ficam chupando o dedo. E só o dedo, entenda bem.
Sua inteligência é tão expoente, sua beleza tão desconcertante e sua trepada, tão sacana. Possui presença de espírito, uma carreira legal e IMC 20. Você é tão boa, mas tão boa que casar com você é quase inevitável. Mas não é inadiável, por isso espere, pois apesar de ele não confessar isso nem sob tortura chinesa, só deseja reencontrá-la dentro de alguns anos, uma vez que precisa se preparar para ter tal prodígio ao seu lado. Não, garotas, aquela lorota do “boa demais para mim” jamais é dita a uma vermelha legítima. No caso de ser verdade, homem algum admitiria uma coisa dessas. Essa é a desculpa que as caídas recebem. Pura compaixão. Com vocês, vermelhas, é competição. Casamento é o menor dos problemas das moradoras de copa de árvore. O pior acontece quando o cavaleiro andante sente-se de tal forma intimidado que, quando finalmente vão para a cama, o cara fica tão nervoso que termina se encolhendo ante tal magnitude. Atenção, garotas
, ser maçã do topo não é negócio!
Guardem seus poderosos predicados para algumas poucas (e boas) amigas. Homens admiram mulheres espertas, é verdade. As maçãs do topo são solenemente reverenciadas. Mas é como naquela fábula que narra uma conversa entre a rosa e a couve-flor: de que adianta ser linda e cheirosa se ninguém te come? O preço que se paga às vezes é alto demais, Humberto canta pra mim enquanto reflito sobre o que seria necessário para ser uma frutinha qualquer. Daquelas que qualquer um consegue coligir, morder, fazer torta. A serpente apóia a iniciativa: quanto mais maçãs mordidas, melhor. Por que motivo preocupar-se com o fato de elas estarem ao alcance de todos, desde que não seja preciso fazer o esforço de escalar, correr o risco de cair? Ah, a queda. A velocidade terrível da queda. O verdadeiro pesadelo do apanhador covarde, que de lobo nada tem. Melhor juntar estas aqui do chão, não é mesmo, rapazes? Algumas, pisoteadas. Outras, provadas e deixadas para trás por não serem doces. As que têm partes podres, é só cortar um pedaço que o resto se aproveita. Na hora da geléia, vai tudo pro mesmo tacho.
Meninas, esqueçam tudo o que eu falei. Melhor esperar alguém que chegue aqui em cima.

era uma vez

Independente. Paga suas contas, dirige seu carro, comanda seu destino. Sexy. Sabe que não precisa ser exatamente bonita para possuir sensualidade, basta uma boa dose de auto-estima. Inteligente. Lê tudo o que encontra pela frente, de Bravo! a bula de remédio, sabe que cinema acontece no mundo todo e não somente em Hollywood, freqüenta casas de cultura. Até que, um dia, ele aparece sem mandar aviso. Não montava um cavalo branco e nem era tão lindo mas, mesmo assim, não deixou a menor sombra de dúvida: príncipe encantado, é você! Resolveram ficar juntos, que o príncipe também não é bobo e sabe que princesa boa não se acha em qualquer paragem.
A partir de então, ela deixa de ir ao teatro para acompanhar o amorzão enquanto ele faz as contas da tabela do Brasileirão. Ela o convence de que Zé Ramalho é música boa e Blink 182 não é. Ele, chato pra comer, não gosta de nada que não seja lingüiça. Eles passam a comer massa com lingüiça, pastel de lingüiça, pizza de calabresa – logo ela, que faz yôga e adora alimentação orgânica. E ela come, hummmmm. Por que motivo, quando apaixonados, ficamos assim tão diferentes? Ué, por que é isso mesmo que queremos. E pior, gostamos. Eu fico. Não tem jeito de conciliar as duas mulheres que são, tão-somente, eu mesma. Uma é doce e a outra apimentada. Uma é afeita ao porto e a outra ao partir. Se Walt Whitman estava certo quando disse que cada um de nós é uma multidão, me obrigo a confessar que essas duas são minhas antíteses pessoais. Sou muitas outras também, mas só o amor polariza. Sou nômade, trocar de lugar é a coisa que mais gosto na vida. A menos que haja amor. Este sim, prende e transforma, como já disse Samuel Rosa: a minha casa está onde está o meu coração - ele muda; minha casa, não. Não me olhe dessa maneira, você também é assim. Não? Menina, é feio mentir. Onde é que vamos parar, sempre que estamos amando? Logo ali, no país das maravilhas. In love, queremos preguiça e guarida. Desejos legitimados por si próprios, os tais fins que justificam os meios. Cozinhamos no sábado à noite, enquanto os outros vão para a balada. Alugamos DVDs, perdemos o final do filme, e não é por causa do sono. Queremos que carreguem nossas mochilas e esperem o trem partir. Precisamos de perdão para nossas fraquezas, que agora são tantas, já que a convivência nos deixa expostos e vulneráveis. Não há maquiagem para a vida a dois. Fica evidente que somos quase fracos, quase perfeitos. Eu disse quase? A liberdade de ser solteiro nos desobriga a enfrentar nossos defeitos. Pelo menos em público, já que ninguém nos observa o tempo todo. Só mostramos o que queremos mostrar e fica combinado assim. Independente sim, e no domingo bate uma carência daquelas que dá vontade de chorar e sentir autopiedade, enquanto devoramos uma lata de Moça Fiesta sabor beijinho. Ainda assim independente, por que ninguém ficou sabendo. Se o príncipe estivesse olhando, certamente diria um 
bah, mas tu é chorona, hein? Ao que pergunto: rapazes, por que será?

condições

Pensei muito em seu pedido, e vim lhe dar uma resposta. Mas antes, tenho algo a lhe dizer. Não, nada disso, é claro que eu te amo. Muito, você sabe. Acredito em seu amor, sim. Claro que acredito, meu deus. Deixa eu falar. Eu não disse que não, quero apenas que você me escute. É sobre as outras.
Gosto da sonoridade dessa palavra, amante. Uma mulher folclórica vivendo no limbo, louca de vontade de dar, vestida com um esvoaçante 
negligé vermelho e calçando chinelinhos emplumados. Ninfa que, por baixo dos lençóis, vivencia céu e purgatório. O paraíso em ser a que sabe de tudo, a quem o canalha confiou o segredo de estar chifrando sua eleita. O inferno ao desperdiçar sua juventude, pois velha ela não é, aguardando que ele largue daquela megera insípida. E tem as crianças, o coitado morre se ficar longe dos filhos. É um pai maravilhoso, claro. Do topo ao subsolo, e às alturas novamente. Premissa básica para as gueixas é gostar de montanha-russa. Amantes são retrô. Nostálgicas, como os filmes da Sessão da Tarde - aqueles que passam no horário de escapar do escritório e dar um pulinho no motel. Após um feriadão interminável, as concubinas têm o horário comercial de segunda-feira. Mas passam dia dos namorados e noite de Natal espreitando o lar alheio, sagrado domínio das esposas. Esse delicado equilíbrio dura até o dia em que as amásias se enchem de coragem para a atitude máxima de estupidez: após uma épica discussão com o patife, onde ele mais uma vez mentiu que vai sim abandonar a mulher assim que ela se recuperar da enésima síncope, a outra se desespera. Como que exigindo uma providência, procura pela titular para contar-lhe aquilo que ela fingia não saber. Drama, muito drama. E todo mundo perde.
Quase ia me esquecendo, você quer que eu diga se aceito ou não. Mas ainda não terminei. Andei escutando que, em seus estudos, Jung teria afirmado que a capacidade de alguém manter-se fiel poderia ser considerada - veja bem - como a maior prova de sua sanidade mental. Achei graça pois, até onde eu sei, ele mesmo traiu sua senhora com uma paciente, o que me leva a pensar que Jung era muito, mas muito doido. Ou então que era dono de tanta lucidez que conseguia até mesmo reconhecer sua própria maluquice. Nesse caso, é possível que eu esteja precisando de terapia porque, embora respeite o bambambam da psicanálise, me vejo obrigada a discordar do doutor. Não te julgo um tantã, mas eu sei que você não vai passar o resto da vida me comendo. Quer dizer, vai, mas não só a mim. Não negue, por favor, que vai soar ridículo. Quem admite a realidade sim é que pode ser considerado um lúcido. Você me pediu em casamento. Eis as minhas condições.
Fica combinado que o envolvimento com vínculos e cumplicidade é exclusividade minha. Escapadas fortuitas, com moderação e inteligência, vá lá. No seu retorno de viagens à Amazônia, Chile ou sei lá, Suazilândia, não farei perguntas que te obrigarão a mentir. Longe dos olhares conhecidos, faça o que tu queres, pois é tudo da lei. Jamais confesse coisa alguma e isso fica entre nós dois. Nada de perebas dentro de casa, você sabe o que fazer. Não dê seu telefone, nem e-mail. Sob muita insistência, invente. Pretendo nunca mexer em suas coisas, portanto não atice minha curiosidade: livre-se das evidências. Proteja-me do clichê patético, e farei o mesmo por você. A culpa transforma qualquer príncipe em um chato de galochas. Pelo meu próprio bem, desta eu te libero. Se você, mesmo assim, sentir-se culpado, faça alguma caridade ou leve-me numa viagem ao Tahiti.
Pense. Se você achar que consegue conviver com a verdade, telefone dizendo que aceita.

jogo para dois

Eles estão juntos há muito tempo. Passaram por uma séria crise há alguns anos: ele a traiu, estabeleceu uma rotina com a outra, se apaixonou. E ela percebeu, como é inevitável quando nossos amores não nos amam mais. Sofreu, gritou. O affair terminou. Conversaram muito e decidiram não jogar a longa relação fora. Mas eles têm dúvidas a respeito do motivo que realmente os manteve juntos - e acham melhor não alimentar esse pensamento, na esperança de que ele morra de fome. Começaram a namorar ainda adolescentes, sequer imaginam como é viver um sem o outro. E agora, acham que devem morar juntos. Procuram apartamento, assinam papéis, as duas famílias estão felizes. Data marcada, decorador escolhido. Esta parede não ficará ótima pintada de bege, querido?

Acontece que, por um brevíssimo instante, ele deu água àquela semente de dúvida. 

Não se perdoa por ter sido tão desonesto no passado. Com ela, quando a enganou, e consigo, quando a culpa o impeliu a reatar. Fez e faz de conta que os motivos que o levaram a buscar alguém fora da relação foram fugazes. Que é passado. Magnificente, ela o perdoou. Ou decidiu que preferia ficar escondida na falsa segurança daquilo que lhe é familiar, talvez nunca saibamos. Mas eles sabem: que não querem seguir adiante, mas não sabem voltar atrás. O primeiro sente-se em dívida e o segundo sente medo. E nenhum dos dois tem a decência de libertar o outro para trilhar um caminho mais feliz.
Lembrei de um texto da Martha Medeiros: há algo de estranho em quem aceita ficar refém de tudo o que construiu. A parede? É, pinta de bege.
Poucas coisas são tão doloridas quanto a lenta agonia de um relacionamento. Aquela pessoa querida, por quem já nutrimos afeto sincero, a quem desejávamos apenas o melhor, segue nos ferindo de morte. De novo, de novo e de novo. Como quem vê uma bóia de salvação, nos agarramos àqueles momentos deliciosos do passado para justificar nossa permanência - ou nosso retorno - ao lado de alguém que tem tantas incertezas quanto nós.
Em contraponto, é proibido jogar a toalha por covardia ou desistir de lutar para contornar crises. Às vezes fica difícil, mas fica combinado que não é impossível. Certo também está aquele que cede um pouco aqui e compensa acolá. Quem, na intimidade, perdoa ofensas que, aos olhos do mundo, seriam passíveis de linchamento. Torcida a favor eleva o moral, mas o jogo é para dois. Dentro das quatro linhas é que as regras se estabelecem. Se der para perdoar, perdoe, vai. Mas parceria tem limite, e a fronteira se situa onde seu amor-próprio acende as luzes de emergência: isto não está me fazendo bem. Quando estamos esperando pelo momento mágico em que finalmente voltaremos a ser felizes, está na hora de fazer a mala.
Felicidade é como dieta: todo mundo sabe o que precisa fazer para alcançar seus objetivos, mas a maioria simplesmente não o faz - Shinyashiki está certo. É melhor empacotar as boas lembranças e levá-las embora consigo a, por medo de cruzar a linha, ficar esperando pelo dia em que os bons tempos darão as caras novamente. Poucos jogos são para um, e relacionamentos não se incluem aí. Se não tem fair play, a regra é clara: cartão vermelho.
Cartão bege não existe.